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Colunista defende Brasil como referência em economia verde

Roberto Rodrigues acredita que o país pode liderar um projeto global na produção de alimentos e energia com foco na sustentabilidade.

 

Está mais ou menos evidente que não existem grandes líderes mundiais como no passado. Nem mesmo organizações multilaterais – como a ONU – são capazes de exercer um protagonismo significativo no concerto das nações.

Por outro lado, com a economia globalizada e os modernos mecanismos de comunicação em tempo real, também não há mais espaço para líderes nacionalistas ou imperialistas: falta um líder planetário. Nestes novos tempos, isso só acontecerá se houver um projeto de interesse igualmente planetário, que atenda às demandas das mais variadas nacionalidades e etnias, classes sociais e crenças políticas ou religiosas.

Que projeto seria esse, capaz de unir as nações, galvanizando os sonhos coletivos?

Ora, há um conjunto de temas que vêm sendo debatidos, todos os dias, em milhares de eventos, e que podem ser agrupados em:

– segurança alimentar: garantia de alimentos saudáveis para todas as populações;

– suprimento de energia limpa e renovável;

– preservação de recursos naturais (principalmente a água) com mitigação do aquecimento global.

O quebra-cabeça está na base da sustentabilidade em suas três vertentes – a econômica, a social e a ambiental e que podemos chamar de economia verde – e a ideia geral é garantir o abastecimento mundial de alimentos e energia, sem discutir os recursos naturais. A nação que tiver uma resposta para esse enigma poderá, sim, ser o novo líder de um projeto de interesse de qualquer cidadão da Terra, seja ele o que for na escala social de seu país.

E o Brasil tem a resposta para isso. Uma resposta já dada, que não exige nenhuma promessa para um futuro incerto, como fazem crer alguns novos Malthus assombrados.

Senão, vejamos alguns dados.

Nos últimos 20 anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 30%, enquanto a produção cresceu 175%. Esses números são espetaculares por si, mas por trás deles há um dado pouco explorado. Hoje em dia, cultivamos 49 milhões de hectares com grãos; se tivéssemos a mesma produtividade de 20 anos atrás, seriam necessários mais 52 milhões de hectares de terras novas para produzir a safra de 2011. Em outras palavras, preservamos esses 52 milhões de hectares. Isso sim é sustentabilidade, sem sonhos teóricos ou ambientalismo acadêmico: isso é preservar recursos naturais.

Outro exemplo: a agroenergia. O etanol a partir da cana em vez da gasolina emite apenas 11% do CO2 desta. Isso sim é mitigação do aquecimento global. E ainda tem dois ajustes espetaculares: a cogeração de eletricidade a partir do bagaço e a complementaridade da produção de cana com a de alimentos nas áreas de renovação, ao contrário da disputa entre alimentos e energia nos países do Norte que usam como matéria-prima o milho, o trigo, a beterraba, o sorgo.

Em suma, o Brasil pode liderar um projeto global de economia verde, mudando os paradigmas agrícolas, ao expandir sua tecnologia pelos países tropicais em desenvolvimento, e criando uma nova matriz energética, renovável e limpa. Nossa matriz energética tem 47% de renovável, enquanto o mundo todo tem só 13%.

A própria OCDE afirma que, nos próximos dez anos, a produção mundial de alimentos precisa crescer 20% para acabar com a fome. E avisa que, para isso, o Brasil tem de crescer 40%.

O mundo espera de nós e coloca em nossos ombros um desafio formidável, que precisamos aceitar, fazendo nossa lição de casa nas áreas de estrutura e logística, política de renda rural, política comercial, defesa sanitária, etc.

Vamos empunhar essa bandeira da economia verde...e amarela!

 

Globo Rural - 06/07/2011


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